quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Revolucionário Fidel Castro renuncia à presidência de Cuba




Líder cubano afirmou nesta terça-feira (19) que não voltará à presidência do país.
Carta cita o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer.

Confira o texto completo da mensagem publicada nesta terça-feira (19) pelo jornal oficial "Granma" no qual o presidente cubano, Fidel Castro, anuncia que deixará o cargo. Na missiva, ele cita o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer como exemplo a ser seguido.

"Prometi a vocês na sexta-feira, 15 de fevereiro, que na próxima reflexão abordaria um tema de interesse para muitos compatriotas. A mesma adquire desta vez a forma de mensagem.

Chegou o momento de postular e escolher o Conselho de Estado, seu presidente, vice-presidentes e secretário.

Desempenhei o honroso cargo de presidente ao longo de muitos anos. Em 15 de fevereiro de 1976 foi aprovada a Constituição Socialista por voto livre, direto e secreto de mais de 95% dos eleitores.

A primeira Assembléia Nacional foi constituída em 2 de dezembro daquele ano e elegeu o Conselho de Estado e sua Presidência.
Antes, tinha exercido o cargo de primeiro-ministro durante quase 18 anos. Sempre dispus das prerrogativas necessárias para levar adiante a obra revolucionária com o apoio da imensa maioria do povo.

Sabendo de meu estado grave de saúde, muitos no exterior pensavam que a renúncia provisória ao cargo de presidente do Conselho de Estado, que deixei nas mãos do primeiro-vice-presidente, Raúl Castro Ruz, em 31 de julho de 2006, fosse definitiva.


O próprio Raúl, que adicionalmente ocupa o cargo de Ministro das FAR (Forças Armadas Revolucionárias) por méritos pessoais, e os demais companheiros da direção do partido e do Estado foram resistentes a me considerarem afastado dos meus cargos, apesar do meu estado precário de saúde.

Minha posição era incômoda frente a um adversário que fez o imaginável para se desfazer de mim e ao qual não queria agradar.


Mais adiante, pude recuperar o controle total da minha mente, lendo e meditando muito, devido ao repouso. Tinha forças físicas suficientes para escrever por longas horas, o que fazia durante a reabilitação e os programas de recuperação. Um elementar bom senso me indicava que essa atividade estava a meu alcance.


Por outro lado, sempre me preocupei, ao falar da minha saúde, em evitar ilusões de que, no caso de um agravamento do quadro adverso, trariam notícias traumáticas a nosso povo no meio da batalha. Prepará-lo para minha ausência, psicológica e politicamente, era minha primeira obrigação após tantos anos de luta.


Nunca deixei de destacar que se tratava de uma recuperação 'não isenta de riscos'. Meu desejo sempre foi cumprir o dever até o último momento. É o que posso oferecer.

A meus compatriotas, que fizeram a imensa honra de me eleger recentemente como membro do Parlamento, em cujo âmbito devem ser adotados acordos importantes para o destino de nossa Revolução, comunico a vocês que não aspirarei nem aceitarei -- repito -- não aspirarei nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante-em-Chefe.

Em breves cartas dirigidas a Randy Alonso, diretor do programa 'Mesa Redonda' da televisão nacional, que foram divulgadas por minha solicitação, foram incluídos discretamente elementos da mensagem que hoje escrevo, e nem sequer o destinatário das mensagens conhecia meu propósito.

Confiei em Randy porque o conheci bem quando ele era estudante universitário de Jornalismo, e me reunia quase todas as semanas com os principais representantes dos alunos, que já eram conhecidos como o coração do país, na biblioteca da ampla casa de Kohly, onde se abrigavam. Hoje, todo o país é uma imensa universidade".


Parágrafos selecionados da carta enviada a Randy em 17 de dezembro de 2007:

"Minha mais profunda convicção é de que as respostas aos problemas atuais da sociedade cubana -- que possui uma média educacional próxima de 12 graus, quase um milhão de pessoas com ensino superior completo e a possibilidade real de estudo para seus cidadãos sem nenhuma discriminação -- requerem mais soluções para cada problema concreto do que as contidas em um tabuleiro de xadrez.

Nenhum detalhe pode ser ignorado, e não se trata de um caminho fácil, se é que a inteligência do ser humano em uma sociedade revolucionária prevalece sobre seus instintos.

Meu dever elementar não é me perpetuar em cargos, ou impedir a passagem de pessoas mais jovens, mas fornecer experiências e idéias cujo modesto valor provém da época excepcional que pude viver. Penso como (Oscar) Niemeyer que é preciso ser conseqüente até o final".


Carta de 8 de janeiro de 2008:

"Sou decididamente partidário do voto unido (um princípio que preserva o mérito ignorado). Foi o que nos permitiu evitar as tendências de copiar o que vinha dos países do antigo bloco socialista, entre elas a figura de um candidato único, tão solitário e ao mesmo tempo tão solidário com Cuba.


Respeito muito aquela primeira tentativa de construir o socialismo, graças à qual pudemos continuar o caminho escolhido. Tinha muito presente que toda a glória do mundo cabe em um grão de milho.


Assim, seria uma traição de minha consciência aceitar a responsabilidade requerendo mais mobilidade e dedicação do que eu sou fisicamente capaz de oferecer. Digo isso sem dramas.

Felizmente nosso processo conta ainda com quadros da velha-guarda, junto a outros que eram muito jovens quando começou a primeira etapa da Revolução.

Alguns quase crianças se incorporaram aos combatentes das montanhas e depois, com seu heroísmo e suas missões internacionalistas, encheram de glória o país. Contam com autoridade e experiência para garantir a substituição.

Dispõe igualmente nosso processo da geração intermediária que aprendeu conosco os elementos da complexa e quase inacessível arte de organizar e dirigir uma revolução.

O caminho sempre será difícil e exigirá o esforço inteligente de todos. Desconfio dos caminhos aparentemente fáceis da apologética, ou da autoflagelação como antítese. É preciso se preparar sempre para a pior das hipóteses.


Ser tão prudentes no êxito quanto firmes na adversidade é um princípio que não pode ser esquecido. O adversário a derrotar é extremamente forte, mas o mantivemos longe durante meio século.

Não me despeço de vocês. Desejo apenas lutar como um soldado das idéias. Continuarei a escrever sob o título 'Reflexões do companheiro Fidel'. Será mais uma arma do arsenal com o qual se poderá contar. Talvez minha voz seja ouvida. Serei cuidadoso."

VIVA FIDEL.. VIVA CUBA.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Termina greve de professores da Uece


Professores continuam em estado de alerta durante todo o processo de negociação com o governo do Estado

Depois de 90 dias em greve, os professores da Universidade Estadual do Ceará, decidiram ontem, em assembléia geral, encerrar a paralisação e continuar em estado de greve, ou seja, mobilizados. A partir de hoje, eles já podem voltar às salas de aula, mas um calendário de reposição ainda será negociado entre os docentes e a Reitoria da Uece.

A decisão de encerramento da greve foi tomada após acerto verbal com o reitor Jader Onofre de Moraes, que também compareceu à assembléia dos professores. Ele se comprometeu em retirar a ação na Justiça que considerava o movimento grevista ilegal e também garantiu que não haverá nenhuma retaliação aos docentes e estudantes. “Não há nenhum motivo para retaliação”, afirmou.

Há 20 dias, a greve foi considerada ilegal pelo juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública, Paulo de Tarso Pires Nogueira. A alegação da Procuradoria Geral da Uece contra o movimento era de que o sindicato da categoria não detinha 10% do total de professores associados. No entanto, os grevistas não desanimaram e mantiveram a paralisação e o número de associados já passa de 200 professores.

Segundo o advogado das três universidades - Uece, Urca (Regional do Cariri) e UVA (Vale do Acaraú) -, Inocêncio Uchôa, com o fim da greve, o objeto da ação movida pela administração superior deixa de existir e o movimento pode, assim, decretar novamente uma greve sem prejuízos legais.

A assembléia dos professores da Uece foi iniciada com mais de uma hora de atraso, depois de encerrada a assembléia unificada das três instituições. Além de estudantes e servidores, participaram da assembléia unificada parlamentares da bancada governista. O líder do governo na Assembléia Legislativa, Nelson Martins, serviu de porta-voz do Governador, retomando acertos da audiência da terça-feira.

“É um compromisso do governo discutir democraticamente essas questões”, frisou o parlamentar. A maior vitória do movimento unificado dos professores foi a abertura da mesa de negociações. Ao longo de todo o ano de 2007, as propostas da categoria não foram discutidas pelo governo estadual.

REPOSIÇÃO

Reitor prevê realização de aulas nos fins de semana

O calendário de discussões tem início hoje e deve prosseguir durante 15 dias, quando os professores irão se reunir novamente para avaliar o andamento da negociação. Os grevistas da Urca e da UVA realizarão assembléias deliberativas próprias para decidir a continuidade do movimento ou não ainda esta semana.

O reinicio das aulas deve ser automático, mas a administração superior e os professores deverão ser reunir para montar o calendário de reposição das aulas. “Vamos repor as aulas integralmente para que os estudantes não sejam prejudicados”, frisou Célio Coutinho, presidente do Sindicato dos Professores da Uece.

Já o reitor Jader Onofre ressaltou que, se for preciso, serão realizadas aulas até nos finais de semana, contanto que o conteúdo seja ministrado sem prejuízos para os alunos.

Segundo o deputado Nelson Martins, o Governo realizará levantamento dos investimentos em infra-estrutura realizados nas universidades estaduais entre 2003 e 2006. Dessa forma, compromete-se em investir 50% a mais que esses valores em 2008, 75% a mais de 2009 e o dobro em 2010.

Naiana Rodrigues
Repórter

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Ministério da Saúde distribuiu 19,5 milhões de preservativos no carnaval 2008



O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou ontem (27), no Rio de Janeiro (RJ), a campanha de prevenção à aids para o carnaval 2008. Com foco na população jovem, especialmente as mulheres, a campanha tem como slogan é “Bom de cama é quem usa camisinha”. Este ano, a ação traz uma novidade: 100 mil tatuagens temporárias, com a inscrição “Tenho atitude. Uso camisinha”, que serão distribuídas no Rio de Janeiro, em Recife/Olinda e em Salvador. Nessas cidades, também serão distribuídas 100 mil bandanas, com a mesma frase.

A campanha é composta também por um filme de 30 segundos e por três spots de rádio nos ritmos do samba, frevo e axé, que serão veiculados de hoje até 5 de fevereiro. Foram produzidos, ainda, 3,5 milhões de folders de prevenção e 700 mil cartazes auto-adesivos para serem fixados em banheiros de bares e restaurantes das cidades com maior fluxo de pessoas durante o carnaval. Para o envio dos cartazes, o Ministério da Saúde firmou parceria com a empresa Coca Cola, que utilizará sua logística de distribuição em todo o Brasil.

Para reforçar as ações de prevenção, o Ministério da Saúde distribuiu 19,5 milhões de preservativos para estados e municípios. No site www.aids.gov.br/carnaval, estão publicadas as notícias sobre as ações de prevenção durante o carnaval em todo o Brasil.

Preservativo
Como foco nos jovens, as peças da campanha reforçam a estratégia da campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids de 2007, estimulando a mulher jovem a exigir o uso do preservativo em todas as suas relações sexuais. No filme, um casal de foliões foge da festa e começa a se beijar na rua. Quando o clima esquenta, a garota pergunta se o rapaz tem camisinha. Ele diz que não tem e ela fala que não vai rolar. Na mesma hora, surge uma banda de fanfarra e um dos músicos oferece o preservativo para o casal.

A cena insólita é cortada pela cantora Negra Li, que chama para a realidade e lembra que é preciso usar camisinha. Ela finaliza o filme perguntando “Qual a sua atitude na luta contra a aids?”. O alerta de Negra Li foi feito nos filmes publicitários da campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids de 2007. No site www.qualsuaatitude.com.br, há m jogo virtual com perguntas e respostas sobre doenças sexualmente transmissíveis e aids, conduzido por Negra Li. Quem erra a resposta, pode tirar as dúvidas em vídeos com o Doutor Pinto, quadro que tem como responsável o médico Valdir Pinto, do Programa Nacional de DST e Aids.

As mulheres jovens foram escolhidas como público-alvo da campanha de carnaval porque a aids afeta mais o sexo feminino entre 13 e 19 anos: para cada 6 meninos com aids, há 10 meninas. Considerando todas as faixas etárias, para cada 15 homens com aids, há 10 mulheres.

Além disso, de acordo com pesquisas de comportamento sexual do Ministério da Saúde, pessoas entre 15 e 24 anos têm mais parceiros eventuais do que indivíduos de outras faixas etárias. Dados do Ministério também indicam que 87% dos homens de 16 a 19 anos usam camisinha nas relações sexuais eventuais, mas só 42% das mulheres usam preservativo com nesse tipo de relação.

Vista-se!
A campanha será apresentada durante o lançamento das ações de prevenção no carnaval do Rio de Janeiro, no Centro Cultural Cartola, na Mangueira. Estão confirmadas as presenças da ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Nilcéa Freire, e da secretária de Direitos Humanos e Ação Social do Estado do Rio de Janeiro, Benedita da Silva.

Também estarão no lançamento os cantores Negra Li, Emílio Santiago e Teresa Cristina; e os atores Teresinha Sodré e Antônio Pitanga. Haverá show de ritmistas e passistas de escolas de samba e a apresentação da orquestra de violinos formada por crianças do morro da Mangueira.

No evento, que este ano terá sua terceira edição, será promovida a marca Vista-se!, de incentivo ao uso do preservativo. Estudantes de moda da Escola de Design de Carnaval da Universidade Veiga de Almeida (UVA) vão estilizar camisetas com a marca para os participantes.

O evento é promovido pelo projeto "Só alegria vai contagiar neste carnaval", da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e da UVA, com apoio do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNAIDS), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), do Ministério da Saúde e das Coordenações Estadual e Municipal de DST e Aids do Rio de Janeiro. O projeto trabalha a prevenção das DST e da aids no carnaval carioca desde 1992.

Em conjunto com a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, o projeto capacita agentes multiplicadores e promove ações de prevenção na Cidade do Samba (onde ficam os barracões das escolas), no Terreirão do Samba (espaço para shows populares), nos ensaios das escolas de samba, no desfile oficial do carnaval e no desfile das campeãs.

Confira as peças da campanha

Mais informações
Programa Nacional de DST e Aids
Assessoria de Imprensa
Telefones: (61) 3448-8088/8100
E-mail: imprensa@aids.gov.br

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Doador de sangue poderá ficar isento de taxa de inscrição em concurso


Com o objetivo de estimular a doação de sangue pelos brasileiros, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) defende que os doadores voluntários, em bancos de sangue mantidos por entes estatais ou autárquicos, fiquem isentos de taxa de inscrição em concursos públicos federais (PLS 657/07).

"Trata-se de um procedimento de fácil operacionalização e sem impacto econômico significativo para o Poder Público", destaca o senador na justificação da proposta.

Inácio Arruda lembra que os serviços brasileiros de hemoterapia confrontam-se com freqüência com estoques insuficientes de sangue e que, de acordo com estudos, menos de 1% dos brasileiros são doadores regulares. Segundo o senador, trata-se de um índice muito abaixo do que é preconizado por organismos internacionais.

A proposta recebeu parecer favorável do relator, senador Augusto Botelho (PT-RR), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde aguarda deliberação. Após ser analisada pela CAS, a matéria segue para exame da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, antes de ser votada em Plenário.

O projeto modifica a lei que dispõe sobre a doação voluntária de sangue (Lei 1.075/50). Na sua forma atual, a lei consigna louvor na folha de servidores públicos ou militares que doem sangue; dispensa funcionários públicos do compromisso do ponto no dia da doação e inclui os doadores que não sejam servidores públicos entre os que "prestam serviços relevantes à sociedade.


Fonte: Agência Senado

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

UBES de gás renovado elege Ismael Cardoso novo presidente




Mostrando uma grande unidade da ampla maioria das forças que disputam o movimento estudantil, a chapa 4 "Estudantes brasileiros por uma educação de qualidade", obteve 704 votos dos votos, elegendo Ismael para estar à frente da entidade nos próximos dois anos.
O 37º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas terminou neste domingo (9) com a eleição do estudante carioca Ismael Cardoso para a presidência da entidade. O encontro reuniu durante quatro dias na capital Goiânia 2.500 estudantes, de todos os 27 estados brasileiros.

Foram credenciados 952 delegados, que tiveram direito a voto durante a Plenária Final. Deste total, 940 votaram. Quatro chapas se inscreveram para concorrer à presidência da UBES. Mostrando uma grande unidade da ampla maioria das forças que disputam o movimento estudantil, a chapa 4 "Estudantes brasileiros por uma educação de qualidade" obteve 704 votos dos votos, elegendo Ismael para conduzir a entidade nos próximos dois anos.

A chapa 1 "Luta Secundarista: por uma UBES na escola, nas ruas", da candidata de São Carlos (SP), Clara Cerminaro, 16 anos, obteve 7 votos. A chapa 2 "Rebele-se: a hora é essa. Educação como prática de liberdade" lançou o nome do estudante carioca Gregório Gould, 21 anos, e computou 169 votos. Já a chapa 3 "Juventude petista: a UBES é pra lutar" não apresentou um nome para concorrer e conseguiu 59 votos.

O novo presidente da UBES agradeceu o apoio e a confiança da maioria dos estudantes na escolha do seu nome. Disse que ele apenas é mais um dentro de uma gestão que pretende traçar uma linha de vitórias daqui para frente. Chamando todas as forças políticas "para pensar uma UBES do tamanho do Brasil' para o próximo período, ressaltou que o momento é de unificação de idéias em torno de um pacto em defesa da educação básica.

Ismael destacou o vitorioso 37º Congresso, que, segundo ele, conseguiu reunir as principais lideranças estudantis do país com objetivo de formular propostas para fortalecer a UBES e criar condições da entidade colocar cada vez mais estudantes nas ruas e pressionar pelas mudanças de que o país precisa

Propostas
Desde a quinta-feira (6) os jovens de todos os estados brasileiros, com idades entre 15 e 22 anos, contagiaram a cidade coma disposição e irreverência do movimento estudantil. Após debates, grupos de discussões, e acaloradas disputa de idéias, eles elaboraram propostas que foram votadas e aprovadas na Plenária Final do 37º Conubes.

São resoluções que reafirmam a luta da entidade pelo Passe Livre, por mais investimentos na educação básica, em defesa de uma escola mais crítica e reflexiva e pela unidade do movimento social na construção de um projeto de desenvolvimento nacional que tenha os estudantes como protagonistas

Uma novidade aprovada neste 37º Conubes e que combate o machismo dentro do movimento estudantil é a reserva de 30% das vagas da diretoria da entidade para mulheres.

Despedida
O ex-presidente da UBES, Thiago Franco, emocionou-se em determinado da Plenária Final ao fazer a sua despedida. Disse que sentirá falta da disposição em mudar o mundo que ele sempre vê em cada um dos jovens ali presentes. "Vendo essa plenária lotada, com certeza já dá uma saudade desta energia que é incrível. O pessoal fica quatro dias pulando, discutindo, cantando, dançando, pensando um país melhor e mostrando que a juventude está, sim, interessada em intervir nesta realidade", falou.

Em entrevista ao EstudanteNet fez questão de destacar o papel de todos os diretores que estiveram juntos na gestão que se encerrou. "O trabalho em parceria teve conquistas históricas, como a retomada do terreno na Praia do Flamengo. Tenho a certeza de que a próxima galera vai dar continuidade a muita coisa conquistada nesses dois últimos anos", despediu-se.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Na trilha de Che Guevara


O argentino é lembrado hoje pelos 40 anos de sua morte: cinema, música e lançamento do livro do cubano Tirso Sáenz


A efeméride pula do calendário e invade a praça e o mercado. Hoje, a partir das 17h, Che Guevara é lembrado em dois lugares da capital pelos 40 anos de sua morte - ele foi assassinado a nove de outubro de 1967. O evento, promovido pela Funcet, transforma a data numa tentativa de lembrar e discutir a importância de Che para a América Latina.

Para tanto, será exibido o filme “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles, no Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro. Em seguida, no mesmo lugar, Tirso Sáenz, autor de “O Ministro Che Guevara” (Garamond), conversa com o público sobre a experiência de ter trabalhado com o revolucionário. A partir das 20h, no Mercado dos Pinhões, o projeto Quinta Cultural recebe Tirso para o lançamento do livro dele, de 2004. Na seqüência, apresentam-se a pianista cubana Litsia Moreno e o grupo de cocos Meu Amigo Imaginarium. DJ Renatinha fecha a noite.

Che foi ministro de Indústrias de 1960 a 65. O escritório, a rotina de ministro, a burocracia não arrefeceram o espírito revolucionário do argentino. E era comum vê-lo caminhando entre operários e trabalhadores procurando saber em que se podia melhorar o setor em Cuba. Imagens como essa são descritas por Tirso no livro. “Minha relação com ele, pessoal, foi muito boa. Aprendi muito com ele. Antes eu não era um revolucionário, não combati na Sierra Maestra. Pensei inclusive em sair do país. Mas ele achou que eu poderia ser útil em algumas tarefas. Me apoiou. E eu me converti à revolução”, contou o aposentado em entrevista por telefone ao Caderno 3 - de Brasília, onde mora há cerca de 10 anos. Ele conta que o fascínio exercido por Che foi algo que transformou a vida de muitos cubanos. “A solução de muitos problemas, para Che, era ouvir as pessoas sobre esses problemas”. Saber ouvir, um dos seus grandes ensinamentos.

“Outra coisa que caracterizava Che era uma visão estratégica. Ele acompanhava todas as ações com uma visão estratégica. E era muito exigente”, continua. O Che poeta também é lembrado, ao lado Che preocupado em desenvolver a cultura e a educação de Cuba. Ações que se refletem até hoje na casa. “Cuba é um país que não tem analfabetos. A vida cultural do cubano é ampla. Che adorava toda a cultura. Era um poeta natural, apreciava muito a literatura, era uma pessoal muito culta, com grande interesse pela questões culturais”, lembra Tirso.

Parece quase impossível se furtar ao mito. Como no filme de Walter Salles, as tentativas de dizer do homem que Che foi acabam por aproximá-lo ainda mais da figura mítica.

Serviço:
Às 17h, exibição do filme ´Diários de Motocicletas´ no Cine Sesc São Luiz, na Praça do Ferreira. Em seguida, debate com o cubano Tirso Sáenz. Às 20h, Quinta Cultural no Mercado dos Pinhões (entre as ruas Nogueira Accioly e Gonçalves Ledo). Lançamento do livro de Sáenz, ´Ministro Che Guevara´. Show com a pianista cubana Litsia Moreno. Mais informações: (85) 3105.1410/3105.1358

Júlia Lpoes
Repórter

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

'Inimigos' não querem avanço do Mercosul, diz Lula


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira (18), em discurso na 34ª Reunião de Cúpula do Mercosul, que "inimigos internos e externos" do bloco não querem ver o seu avanço. Entre os inimigos internos, Lula mencionou claramente os corpos técnico e burocrático dos quatro países sócios do projeto.



O presidente reconheceu, entretanto, que se a integração não se aprofundou como deveria nos últimos anos, "a culpa é eminentemente nossa". Para ele, para os temas de integração, a vontade política deve prevalecer sobre as decisões técnicas.



"O Mercosul é como um filho que colocamos no mundo e, às vezes, somos tão exigentes com ele que só vemos coisas feias nele. Dentro dos nossos governos, das nossas burocracias, há gente que não assimila o Mercosul", afirmou Lula, para acrescentar em seguida que muitos prefeririam que os membros do bloco firmassem acordos comerciais com os Estados Unidos e a União Européia.



"É como dizer para nosso filho que ele é feio, tem nariz grande, orelhas grandes. Vamos colocar um pouco de beleza nesse filho. Esse filho pode produzir mais. Não usamos nem 40% do seu potencial."



Logo ao lembrar que ainda lhe resta três anos de mandato, o presidente Lula defendeu que será possível avançar, nos próximos dois anos, o que "não avançamos em dez anos no Mercosul".



Dirigindo-se como "o decano do Mercosul" à presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que assume a partir desta terça-feira a presidência temporária do bloco, Lula aconselhou a conclusão das medidas que eliminarão a dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC).



"Se a gente ceder à burocracia interna e aos que sonham em vender tudo para os Estados Unidos e a União Européia, não daremos o salto de qualidade", afirmou.



Venezuela e Bolívia
Ao defender que a "vontade política" se sobreponha às decisões técnicas no processo interno do Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que tal princípio prevaleceu nos dois acordos firmados nos últimos dias pela Petrobras com a Petróleos de Venezuela (PDVSA) e com a Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolívia (YPFB). Lula citou os dois casos como exemplos da imposição da decisão política.



"Quando chegamos lá, nem a PDVSA nem a Petrobras estavam de acordo. Precisamos chamar (os presidentes das duas empresas) e dizer que tinham um acordo a cumprir", afirmou, para em seguida lembrar que apenas foi concluída a criação de uma das empresas - a que vai construir e operar a refinaria Abreu de Lima, em Pernambuco. A segunda empresa - que deverá explorar e produzir petróleo nas jazidas de Carabobo1 - deverá ser criada somente na reunião bilateral de março de 2008, informou Lula.



No caso do acordo Brasil-Bolívia, firmado na última segunda-feira, o desentendimento técnico repetiu-se. "Como na Venezuela, eu e o Evo (Morales, presidente da Bolívia), chamamos as duas empresas e, em 10 minutos, elas fizeram o acordo", relatou o presidente Lula.



"O tempo da política não é o tempo do técnico. Se passa a impressão que eles (os técnicos) defendem a empresa com mais amor que a gente (os presidentes) defende, como se nós tivéssemos mudado de empresa", reclamou.