terça-feira, 11 de novembro de 2008

Transnordestina requer liberação de R$ 900 mi

Com 5,88% do projeto concluído, obra ainda aguarda liberações de R$ 180 milhões do BNB e de R$ 823 milhões do Finor

Para não descarrilar, a segunda etapa da ferrovia Transnordestina precisa de verbas. Ontem, o presidente da Transnordestina Logística (ex-Companhia Ferroviária do Nordeste, CFN), Tufi Daher Filho, esteve no Rio de Janeiro, negociando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), detalhes burocráticos para liberação de R$ 900 milhões, a serem alocados na nova etapa do projeto ferroviário.

De acordo com Daher, a primeira fase da estrada de ferro já foi concluída. Tratam-se de apenas 100 quilômetros de recuperação de trilhos entre as cidades de Salgueiro, em Pernambuco, e Missão Velha, no Ceará. Dos 1.728 quilômetros previstos no projeto, significa que apenas 5,88% já passaram por obras. Nos outros trechos, nenhuma obra foi iniciada ainda e não há prazo de começo.

Mais recursos

Segundo o presidente da Transnordestina Logística, ainda estão sendo aguardas as liberações de R$ 180 milhões do Banco do Nordeste (BNB) e de R$ 823 milhões do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor), via Sudene. “Como a obra faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), acreditamos que não vá sofrer corte de verbas”, disse Tufi Daher Filho.

O custo da ferrovia Transnordestina foi aumentado em 20%. A obra vai representar um investimento de R$ 5,422 bilhões. Até o começo de outubro passado, o valor de implantação do empreendimento, um dos maiores do PAC, era R$ 4,5 bilhões. Segundo o presidente da companhia, o incremento foi causado pela alta dos valores de insumos, mão-de-obra e elevação da inflação.

Iniciadas em 2006, a expectativa para conclusão das obras é até o fim de 2010. A data, entretanto, depende das licenças ambientais, desapropriações e liberação dos recursos, de acordo com o gestor.

Revitalização

O projeto envolve a construção de 680 quilômetros de novos segmentos, 600 quilômetros de reconstrução com alargamento de bitola e 500 quilômetros de recuperação, restauração e implantação de bitola mista (três trilhos).

A ferrovia faz parte do Plano de Revitalização de Ferrovias, lançado pelo presidente Lula. Serão 1.860 quilômetros de extensão, sendo 905 de novas linhas. A previsão é de que a obra seja concluída em três anos. Terá capacidade de transportar 30 milhões de toneladas de carga por ano, de produtos como soja, biodiesel, frutas, álcool e minérios.

Samira de Castro/Anchieta Dantas Jr.
Repórter

ENTREVISTA
´Crise não afetará o andamento das obras da ferrovia´

TUFI DAHER FILHO
Presidente da Transnordestina

Como andam as obras da Transnordestina, sobretudo o trecho que passa pelo Ceará?

As obras de infra-estrutura entre Missão Velha e Salgueiro estão concluídas. A superestrutura (colocação de trilhos, dormentes e britas) deverá ser iniciada no primeiro trimestre de 2009 e deverá ficar pronta até dezembro de 2009, inclusive com as pontes, túnel, etc.

As bitolas são importadas da Europa?

Os trilhos para este trecho foram importados da China e já estão no Brasil.

Por que esta lentidão nas obras? Afinal, esta é uma das obras mais importantes do PAC e deve promover a integração intermodal nos portos do Pecém (CE) e Suape (PE). Além disso, as obras começaram em 2006.

Esta obra depende basicamente dos projetos executivos prontos e aprovados (que estão ok), licenças ambientais (atrasadas pelo Ibama), desapropriações em andamento pelos governos estaduais e recursos financeiros (somente a Transnordestina colocou recursos até então).

Por conta da crise financeira internacional, o andamento da Transnordestina pode ficar prejudicado?

A crise não afetará o andamento das obras

Como é a engenharia financeira do projeto? De onde vêm os recursos?

O projeto é de R$ 5,422 bilhões, sendo R$ 2,6 bilhões do FDNE, R$ 823 milhões do Finor, R$ 900 milhões do BNDES, R$ 180 milhões do BNB, R$ 164 milhões do governo federal e R$ 681 milhões da CSN. Todos os recursos, exceto Finor e governo federal, são empréstimos e não aporte.

Houve modificação no valor original da obra? Soubemos que ocorreu um aumento de 20% no valor saindo de R$ 4,5 bilhões para R$ 5,4 bi.

O orçamento original era de 2004. Foi reajustado em 20% especialmente pela alta de insumos, mão-de-obra e inflação.

Qual a expectativa de conclusão das obras? Quando a ferrovia será integrada ao Porto do Pecém?

Continuamos trabalhando com o prazo até final de 2010, mas esta data depende das licenças ambientais, desapropriações e liberação dos recursos.

Em que consiste todo o projeto da Transnordestina?

São 1.728 quilômetros de nova ferrovia, interligando os portos de Pecém e Suape, sai de Suape até Eliseu Martins no Piauí e de Salgueiro até Pecém.

Os custos tanto para transporte de cargas como de passageiros diminuiriam muito. Existe alguma comparação para mostrar esses ganhos?

Todo o mercado ferroviário está atravessando um momento especial, pois depois de décadas sem investimentos estruturais, agora surgem diversos projetos que facilitarão o escoamento dos nossos produtos, reduzindo o custo logístico, com baixíssimo impacto ambiental e permitindo as empresas nacionais serem competitivas em relação a outros mercados exportadores.

Há outros investimentos da empresa no Ceará?

Estamos investindo em recuperação de locomotivas, vagões e via permanente. Preparamos a companhia para o futuro, com treinamento e atraindo empresas para se instalarem próximo ao modal ferroviário.

Fonte:
Diário do Nordeste.

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